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#1 narrativas de um lugar
Em algum lugar deste planeta azul, inicia-se nossa jornada.
Atravessamos fronteiras, descobrimos mundos, percebemos novos paradigmas em mundos já há muito conhecidos. Tão importante quanto o destino final do peregrino, é o caminho que ele percorre, quando dar-se-ão suas transformações mais profundas. Por este motivo, interessou-nos aqui falar sobre o caminho; diferentes caminhos percorridos por muitos de nós, cujo destino é um só: o inquestionável amor à arte.
Enquanto tivermos olhos para a poesia, haverá lugar para o encantamento e para o sonhar.
Boa jornada!
Gisele Gomes e Maria Clara Diniz
editoras
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#2 Deslocamento
Deslocamento.
Ato ou efeito de mudar, de mover(-se) do lugar em que (algo) está ou estava. Sair de um lugar e chegar a outro ou a nenhum: mudar-se.
Mecanismo de defesa por meio do qual o investimento afetivo é transposto de seu objeto original para um objeto substituto.
Estranha palavra de múltiplas acepções: peso de uma embarcação, flutuando em águas calmas, o qual é idêntico ao volume de água deslocada pela parte imersa do casco.
Com algumas inquietações, leituras e conversas esse grupo de nove artistas fotógrafos iniciou um percurso que culmina na publicação desse número 2 de Cenáculo. Melhor que percurso, um circuito cujos destinos (também de múltiplas acepções) são incertos e não estão no dicionário: um ciclo de ressignificação de experiências. Experiências que permitiram a cada um de nós acessar baús internos, remexer lá dentro com o olhar atento ao acontecível.
De longe, palavras e olhares estrangeiros como os de Leo Divendal, Marie Hippenmeyer e Machiel Botman nos permitiram juntos, caminharmos mais sozinhos contra o vento e contra o que estamos cegos de tanto ver. O deslocamento é um processo; esse deslocamento foi um processo. Mas é um caminhar incerto, cujo destino está eternamente em construção. Esse número de Cenáculo é essa construção.
Bárbara Aguiar e Daniel Helene
editores
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#3 Memórias Afetivas
O início do processo de edição desta revista foi também um momento de constatação de que estávamos todos, de uma maneira ou de outra, enfrentando contextos de vida radicalmente novos. Desafios profissionais, separações, mudanças de endereço, perdas irreparáveis, novos relacionamentos. Seguimos em produção.
Começaram a surgir imagens eleitas de arquivos, auto-retratos, produções de percursos atuais. Surgiram lembranças inverossímeis, imagens que tornavam presente ausências sentidas, legados, rumos, transições, modos de perceber. Convergimos, em nossas paisagens internas, para rastros significativos de nossas histórias.
Frente ao desconhecido, o norte era dado pelo que nos fundamenta: nossos afetos.
E então voltamos a uma premissa que nos é cara: nossos posicionamentos partem, fundamentalmente, da noção de sermos seres sensíveis. É deste lugar que assumimos nossos horizontes e produzimos nexos possíveis.
Para contribuir com esta edição, convidamos Ana Regina Nogueira, com ensaio e entrevista, por nos inspirar pela maneira plena com que viveu e fotografou suas transformações, Malvina Sammarone, com seus auto-retratos em re-visita à antiga casa da família e Roberto Vietri, com imagens de um tempo em suspenso. Na sessão Em Palavras, Maria de Fátima de Almeida Prado nos proporciona um olhar da fenomenologia e Marcos Rodrigues, contista, torna a memória quase palpável. Na página que nomeamos Poesia está uma compilação de trechos de obras que passaram por nós nesse período.
A Revista Cenáculo, enquanto uma das formas de compartilharmos nosso trabalho, se propõe a oferecer fragmentos do vivido, acreditando que é na acolhida do que temos de mais singular que criamos condições de encontro com um outro.
Flávia Tojal e Luciana Mendonça
editoras
*A imagem publicada em nossa home chegou a nós através de Silvia Maglioco que, antes mesmo de saber da temática desta edição, insistiu para que se tornasse presente aos nossos encontros um lote de imagens por ela adquiridas em um feira de antiguidades.
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#4 Homine Urbanu
Chegamos a mais uma edição da cenáculo.
“ Homine Urbanu” , tema da cenáculo#4 surgiu da reflexão fenomenológica do ser na urbe.
Cada imagem nos conta uma história, mas a história é simplesmente uma moldura para a busca e as descobertas de possibilidades sensoriais e filosóficas.
Os desafios são fundamentais e existenciais.
Apesar de todas as mentiras aqui reveladas, acreditamos que a verdade também esteja contida no silêncio, no mais sutil dos movimentos, num olhar, num sorriso - na própria imagem.
Boa leitura.
Beatriz Pontes, Eduardo Villares e Maria Clara Diniz
Editores
*Foto cedida especialmente para a capa da cenáculo#4 do ensaio Andarilha Urbana de Maria Clara Diniz.
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#5 Labirintos
"O que representa labirinto para você?"
Essa foi, depois de uma provocação inicial feita por Leo Divendal a alguns de nós, a questão que nos colocamos ainda em 2010 para iniciar diversas caminhadas que talvez não tenham terminado completamente.
Os trabalhos apresentados nesta nova edição da Revista Cenáculo não são, porém, um conjunto de respostas àquela questão inicial. São, antes, registros dessas caminhadas. Caminhadas transformadas em experiências, acumuladas como narrativas, como poemas.
O que se compartilha aqui, portanto, são produtos finais desses processos de criação, mas também - e sobretudo -, os próprios processos.
Em certo sentido, estamos diante de trabalhos que nos permitem ver, tateando em labirintos, que as experiências transformam os caminhos. E que os caminhos recriam as experiências.
A Cenáculo tem essa característica, expor e propor discussões sobre processos artísticos. Neste sentido a periodicidade da revista é ditada pelo tempo que levam nossos processos. Para tentar suprir esses espaços de tempo que podem se tornar longos e aproximar os visitantes de nossas discussões, resolvemos criar um espaço novo, o blog. Nossa ideia é poder usar mais essa ferramenta para que os processos criativos em torno da fotografia possam ser compartilhados e comentados. Aguardamos a sua participação!
Daniel Helene, Flavia Tojal e Marcelo Greco
editores
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